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Pagar comissões aos intermediários e salários justos ao atleta é tudo quanto os clubes contornam, daí que evitam o envolvimento de agentes-FIFA. Foto: Arquivo
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REPORTAGEM

A DESAFIANTE MISSÃO DE SER AGENTE-FIFA EM MOÇAMBIQUE

A representação ou agenciamento de jogadores continua a ser uma profissão desafiante em Moçambique, onde apesar de as regras serem bem claras, estas são constantemente violadas pelos clubes, atletas, sob o olhar impávido da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), numa clara afronta ao preceituado e preconizado pela FIFA, o organismo máximo do futebol mundial.

Por regra, um jogador profissional deve ter um representante, denominado Agente-FIFA, uma pessoa ou entidade devidamente licenciada após cumprir vários requisitos burocráticos, administrativos, financeiros e legais, mas no nosso país esta prática tem sido colocada de lado, o que muita das vezes prejudica, em última instância, ao atleta.

Hippachus Baptista, Martins Garrine e Edgar Cossa, três dos poucos agentes-FIFA devidamente licenciados a actuarem na praça falam de situações penosas no exercício da sua profissão e lamentam o facto de os clubes até optarem por agentes informais em detrimento deles, tudo para tirar o maior benefício possível da vulnerabilidade de um atleta, que sempre negocia numa posição de inferioridade.

Pagar comissões aos intermediários e salários justos ao atleta é tudo quanto os clubes contornam, daí que evitam o envolvimento de agentes-FIFA, havendo casos em que o jogador depois de assinar o contrato não lhe é passado sequer uma cópia para mostrar o seu representante.

Em face disso, os jogadores não se veem atraídos a terem representantes até porque alguns clubes rejeitam expressamente contratar um atleta devidamente agenciado porque supostamente os agentes empolam os valores.

Alguns clubes chegam a contratar, por outro lado, jogadores agenciados, mas simplesmente não pagam as comissões devidas aos agentes.

A situação agrava-se, segundo os agentes por nós abordados, quando os atletas são cobiçados por um clube estrangeiro. Contam que há muitos atletas que já perderam a possibilidade de emigrar por causa do finca-pé dos seus clubes em envolver agentes-FIFA na intermediação, alegadamente para não repartirem os ganhos com ninguém.

Há anos, situações dessas mais mediatizadas aconteceram no Desportivo de Maputo, aquando das contratações de Dominguez, Carlitos, Mexer e Zainadine por clubes estrangeiros, com a direcção encabeçada, na altura, por Michel Grispos a recusar intervenções de representantes desses jogadores, com muitas suspeições e acusações mútuas pelo meio.

Mais recentemente, o agente-FIFA, Jonas Nhaca, teve um trabalho aturado para ser compensado pelo Maxaquene, depois de intermediar a venda do jogador Cândido Mathe (Candinho) à União Desportiva do Songo.

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