Numa altura em que o presidente da Comissão de Gestão da União Desportiva do Songo (UD Songo), Carlos Comé, assumiu a presidência há sensivelmente cinco semanas, mais um caso de litígio laboral envolvendo o nome do clube e um atleta é despoletado. Trata-se de Jeremias Nhambire, que veio a público para fazer ecoar a sua voz e ver resolvida uma “injustiça” que, segundo o próprio, dura há oito meses. O atleta, que afirma ter ainda um vínculo contratual com a UD Songo, aguarda ansiosamente por uma resposta. Do outro lado, o clube de Songo apresenta uma versão diferente da história.
Jeremias Nhambire acusa a UD Songo de incumprimento salarial há oito meses. Clube contrapõe: atleta foi dispensado por baixa performance e nunca apresentou pedido formal de rescisão.
Nhambire apresenta uma narrativa linear e detalhada do seu litígio com o clube.
O contrato. O jogador afirma, categoricamente, ter um contrato com a UD Songo desde 1 de Janeiro de 2025, com termo a 30 de Novembro de 2026. “Tenho comigo o contrato físico assim como electrónico”, assegura.
Os salários. Durante os seis meses em que esteve ao serviço do clube — de Janeiro a Junho de 2025 —, Nhambire garante que recebeu o salário “normalmente”, com excepção do último mês. “Até hoje não sou explicitado a razão de não ter recebido”, acrescenta. Desde então, conta oito meses sem qualquer pagamento.
A passagem pelo Ferroviário de Nacala, entre Junho e Novembro de 2025, terá sido acordada verbalmente. Durante esse período, o jogador afirma que apenas recebia o salário do clube de Nacala, não havendo qualquer contribuição da UD Songo.
Nhambire refere ter contactado os directores desportivos do clube para tentar resolver a situação. A resposta, segundo ele, foi sempre a mesma: promessas de pagamento após o clube receber luvas de transferências. “São apenas promessas desde o ano passado até hoje”, lamenta.
O jogador admite ter tentado contactar o sindicato de jogadores, mas não avançou com o processo por confiar na palavra do clube. “Em breve vamos resolver”, ter-lhe-iam dito. Palavras que, segundo Nhambire, não passaram de uma promessa vã.
O mercado. No actual mercado de transferências de Junho de 2026, o atleta afirma ter recebido propostas de outros clubes. No entanto, os interessados acabaram por não avançar com a contratação devido ao compromisso contratual que o jogador mantém com a UD Songo.
O pedido. “Estou apenas a exigir aquilo que é meu por direito e, se possível, desvincular o contrato para que eu possa abraçar novas oportunidades, porque não faz sentido estar abraçado a uma causa sem ser pago”, afirma. E acrescenta: “Não queria que as coisas chegassem até aqui, mas infelizmente já passa meia época sem nenhuma solução.”

