“É um sonho marcar na selecção. Para mim, acho que esse sonho já se tornou uma realidade”. Foi com a modéstia de quem ainda tenta assimilar o peso do momento que viveu que Chamito Alfândega resumiu a sua actuação no Estádio Nacional do Zimpeto. Aos 22 anos, o avançado saltou do banco logo após o intervalo do embate frente ao Sudão e precisou de apenas 17 minutos em campo para deixar uma marca indelével na partida: dois golos que consolidaram a goleada dos “Mambas” por 4-1, em confronto a contar para a Fase de qualificação para o Campeonato Africano das Nações (CAN-2027).
Após o encontro, Chamito não escondeu a satisfação pelos golos: “agradeço a Deus por esta oportunidade. É sempre um sonho estar aqui a representar a selecção, independentemente do escalão em que estiver inserido. Procuro dar o meu melhor em todos os treinos e hoje, felizmente, consegui ajudar a equipa com dois golos”. Se a exibição retumbante deu um novo brilho à sua afirmação nos “Mambas”, a dimensão do dia 29 de Setembro passado só se compreende verdadeiramente recuando aos capítulos iniciais de uma caminhada construída longe dos holofotes.
DOS PRIMEIROS PASSOS
ÀS ARENAS DE PORTUGAL
Natural de Maputo, onde nasceu a 14 de Janeiro de 2004, Chamito Loborino Alfândega deu os primeiros pontapés na bola nas categorias de formação do Têxtil de Punguè. Foi nos relvados da cidade da Beira que começou a moldar as qualidades físicas e técnicas que hoje ostenta: a agressividade sobre a bola, a velocidade na desmarcação e o sentido apurado de baliza.
O seu potencial não passou despercebido aos olheiros da Black Bulls. No clube, o avançado encontrou a estrutura ideal para fazer a transição para o futebol sénior de alta exigência. Entre as épocas de 2024 e 2025, Chamito somou 33 partidas oficiais e apontou cinco golos pela equipa principal dos “touros”. Mais do que o registo estatístico, ganhou estampa física, maturidade táctica e a rodagem competitiva necessária para atrair o interesse de observadores internacionais.
Paralelamente, o seu rendimento acelerou a chamada às selecções jovens bases. Nos Sub-20, Chamito foi figura de proa nos torneios regionais (COSAFA), rubricando golos decisivos na fase de grupos e no “mata-mata”, que ajudaram a qualificar os “Mambinhas” para as fases finais continentais.
No Cosafa de 2024, Chamito marcou três golos, no empate com a África do Sul, por 1-1, e, depois, dois golos na vitória diante das Comores, por 3-1, nas grandes penalidades, após a igualdade a duas bolas no tempo regulamentar. O desempenho abriu-lhe as portas do futebol europeu. O destino foi Portugal, onde ingressou no Académico de Viseu para disputar a II Liga. No clube, dividiu a sua temporada inicial entre a equipa principal (dois jogos) e a formação Sub-23, onde sobressaiu com quatro golos e três assistências em 11 partidas.

