O timoneiro da Federação Moçambicana de Xadrez (FMX), Milton Botão, eleito, a 27 de Julho último, presidente da Zona 4.5 de África (Região Austral), numa vitória esmagadora contra o zimbabweano Erick Takawira (9-1), já lançou as cartas na mesa sobre a nova gestão do órgão.
O sucesso eleitoral de Botão foi fruto de uma campanha bem-sucedida, focada nos feitos por si conseguidos ao longo de sensivelmente seis anos como presidente da FMX, cumprindo agora o segundo mandato. Eleito pela primeira vez em 2020 como primeiro presidente mais jovem na história da FMX, Milton Botão foi reconduzido ao cargo em Fevereiro de 2025, numa eleição em que não teve nenhum concorrente, elevando este ano a fasquia nas suas ambições no dirigismo desportivo, ao assumir a candidatura inédita para a presidência da Região Austral na história do xadrez nacional. O antigo xadrezista sucede na liderança do xadrez zonal à malawiana Suzan Namangale.
Nas linhas que se seguem, Botão fala do sucesso da campanha que contribuiu para a sua escolha, dos planos e desafios que tem pela frente para colocar o xadrez na zona mais visível e com expressão ao nível de África e do Mundo.

Aquilo que parecia difícil na sua candidatura à presidência da zona tornou-se fácil com a vitória esmagadora contra o único adversário que teve pela frente. Como justifica esta goleada de 9-1?
- Como se diz, a vitória prepara-se e organiza-se. Antes de participar na eleição, fiz um trabalho de base, que consistiu em mostrar, em primeiro lugar, o trabalho que Milton Botão e a sua equipa fizeram em Moçambique e o que somos capazes de fazer para a África Austral. Em segundo lugar, mostrámos uma organização e liderança estruturais, e no nosso programa trouxemos pontos específicos que de certeza são o Calcanhar de Aquiles na nossa zona. Um dos principais pontos é a transparência governativa, que não existe, ou seja, a actual gestão da zona não trazia informação clara sobre as actividades por si desenvolvidas, incluindo a prestação de contas. Não apresentava uma estrutura e agenda próprias. É claro que a eleição é para a escolha do presidente, mas cabe a ele a prerrogativa de montar a sua equipa de trabalho para atacar as várias frentes, desde a busca de recursos e patrocínios para a realização de competições e outras actividades. Pelos vistos, a presidente da zona fazia tudo a título individual. Para além da estrutura de gestão, nunca apresentou um calendário competitivo da zona. Isso defraudou, com certeza, as expectativas da zona. É por isso que do ponto de vista colectivo fui muito claro, ao afirmar que sempre precisarei das federações, sendo elas a base de suporte de qualquer organização desportiva e de outros fazedores de xadrez. Então, penso que isso pesou muito, assim como a dinâmica que tem caracterizado a minha actuação e que se reflecte nos resultados visíveis internamente, desde a organização de eventos nacionais e internacionais e um programa sustentável de massificação da modalidade ao nível do país. Penso que foi por isso que os meus pares acreditaram e apostaram em mim, dando-me uma oportunidade para que nos próximos quatro anos possa mostrar as minhas capacidades, e certamente que estou focado. Vou, nos próximos dias, constituir e apresentar a minha equipa e acredito que vamos conseguir fazer um bom trabalho.

